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Perguntas Frequentes

Porquê um Sistema de Igualdade Monetária?

É do conhecimento geral que muito do sofrimento sentido na Terra é o resultado de seres humanos negarem o acesso de outros seres humanos aos recursos essenciais à vida. Isto tem acontecido provavelmente desde sempre e, com o passar dos anos, o sistema tem-se vindo a tornar cada vez mais cruel. A desigualdade e o completo desprezo pela vida que nós nos temos vindo a tornar enquanto espécie está agora a colocar-nos num beco sem saída: iremos parar e finalmente honrar cada um de nós como iguais ou vamos fechar o ciclo e pôr um ponto final à existência humana?

O que sugerimos é o estabelecimento de uma plataforma que permitirá aos seres humanos libertarem-se da actual crueldade. Tal será possível através do Sistema de Igualdade Monetária, no qual cada ser humano terá direito a um salário igual incondicionalmente – desde o nascimento até à morte. O Sistema de Igualdade Monetária tem como objectivo remover o medo e a sobrevivência da equação chamada ‘vida’. Isto irá estabelecer um nível de qualidade de vida a partir do qual nós, seres humanos, poderemos começar a aprender o que significa vivermos juntos e como confiar uns nos outros.

Essencialmente, o dinheiro tem sido a ferramenta usada pelo sistema para perpetuar o seu controlo sobre os seres humanos.

O que aqui defendemos é que o dinheiro pode ser usado para o bem – isto é, se o percebermos e se mudarmos as regras. Assim chegaremos a um novo acordo sobre como é que queremos viver, num mundo onde todas as pessoas são igualmente tomadas em consideração.

Porquê usar o dinheiro como solução – não irá o dinheiro levar novamente à corrupção?

O dinheiro não é intrinsecamente mau nem promulga ganância por si próprio. Mas no actual sistema, esta tem sido a forma como o dinheiro é usado e definido, o que dissemina a ganância – estas são regras aceites. As regras nas quais o dinheiro é baseado podem portanto ser alteradas.

Um exemplo de tal regra é: ninguém tem direito a ter dinheiro a não ser que trabalhe por isso. Esta regra dita que as crianças não receberão apoio neste mundo a não ser que tenham Pais que trabalhem e ganhem dinheiro para sustentar a criança, ou indirectamente através de impostos redireccionados. (Uma terceira via é a caridade mas esta não é consistente o suficiente para ter qualquer impacto no contexto global). Uma consequência desta regra é que as crianças nascidas no actual sistema não têm qualquer direito de existir – pois o facto da criança existir isso não lhe garante o direito a ter os meios necessários para viver, ou seja, a ter dinheiro. Os direitos apenas vêm com trabalho – e se a pessoa é incapaz de comprar o direito de existir, outra pessoa terá de comprar esse direito por ela.

Esta regra cria uma situação de medo. Sob tais condições, ninguém está seguro – visto que a habilidade de viver está permanentemente dependente da habilidade de ganhar dinheiro no sistema.

Aqui podemos ver que são as regras do sistema monetário que criam a luta pela sobrevivência.

É importante ver que a luta pela sobrevivência é o resultado das regras da sociedade – que são criadas pelo homem – e não são uma condição da vida per si.

Muitos recorrem ao argumento que ‘a luta pela vida’ pode também ser encontrada no Reino Animal – o que depois é usado para justificar a luta como inevitável. No entanto, quando posto na devida perspectiva, esta razão é inválida: porque neste momento não há qualquer razão que justifique pessoas a morrerem à fome ou a existirem privadas de condições de vida. Hoje em dia há suficiente para todos – este facto é bem sabido e portanto, a razão pela qual ainda não houve qualquer mudança reside na falta de vontade política. Temos de perceber o que é a ganância. A ganância provém do medo de que, eventualmente, não haverá suficiente. Portanto, a pessoa irá tirar o máximo possível, desrespeitando qualquer um e os demais – porque com medo só se é possível agir em interesse próprio, especialmente quando se trata de medo da morte.

Por isso, numa situação em que exista uma provisão em que se possa confiar; em que todos tenhamos acesso a tudo aquilo que precisamos para nos suster neste mundo e levar uma vida digna, o medo deixará imediatamente de existir, assim como a ganância.

Naturalmente as formas de ganância desaparecem quando a confiança se estabelece e as pessoas se apercebem que não há necessidade para tais comportamentos.

Portanto, o dinheiro pode de facto ser usado como a chave para mudar a experiência humana na terra, onde podemos andar nas ruas sem medo de ser assaltado e onde podemos começar a confiar uns nos outros.

Não seria melhor não haver dinheiro de todo?

Não. Eis a simples razão: o objectivo é estabelecer a igualdade ao nível físico – igual acesso a casa e electricidade, a comida e água, a cuidados de saúde e educação. Isto significa que iremos lidar com uma economia de bens e de serviços. Na prática, será muito mais eficiente distribuir um único recurso para todos – dinheiro – em vez de se distribuir todos os diferentes bens e serviços continuamente para todas as pessoas. No momento em que cada pessoa tenha o seu próprio dinheiro, isso dará acesso àquilo que cada um precisa; cada um poderá então adquirir o que necessita em lojas e mercados, por exemplo.

Nesta fase, ir para uma situação em que não haja dinheiro de todo conduziria ao caos e à anarquia – porque não haveria uma medida para nada – enquanto que a igualdade monetária é uma medida específica, que garantirá que cada um tenha os recursos necessários. Portanto o dinheiro é também uma ferramenta que permite gerir a distribuição de uma forma ordenada.

Além disso, a única alternativa ao dinheiro é a troca de bens, mas usar a troca numa escala global para substituir o dinheiro é quase impraticável. Para se perceber melhor, basta ver que o sistema de troca conduziu à criação do dinheiro à medida que a população mundial aumentava, visto que é mais fácil expressar o valor dos bens e serviços num único objecto – o dinheiro –, que seja mais acessível a todos. Assim, ao dar-se valor ao dinheiro, o princípio da troca está inserido no uso do dinheiro e não há qualquer perda de valor. Obviamente, este não é o caso no actual sistema monetário, no qual o valor do dinheiro é baseado em débito.

Mas se todos tiverem o mesmo dinheiro, quem irá fazer o trabalho necessário para sustentar a sociedade?

Neste ponto, sugerimos ser-se muito específico. Actualmente temos um sistema que consiste em inúmeros empregos e tarefas que têm de ser desempenhados. Estas actividades estão baseadas no ponto de partida do actual sistema monetário: todas as pessoas têm de ter qualquer tipo de tarefa para ganharem dinheiro sem o qual uma pessoa não pode existir neste mundo. Por isso, se olharmos para a natureza de muitos dos empregos vamos ver que estes não existem necessariamente para sustentar a vida física dos seres humanos nem a qualidade de vida no planeta. Em vez disso, vemos que as corporações, por exemplo, são formadas para vender um tipo de produto – e se olharmos em honestidade própria – vê-se claramente que não há qualquer necessidade para o produto que é vendido. No entanto, a existência de tais produtos e serviços é justificada pela necessidade de criar empregos – e assim torna-se irrelevante que o produto ou o serviço tenha qualquer importância para a qualidade de vida na Terra, desde que haja mercado para tais produtos ou serviços que permita às corporações fazer dinheiro e pagar ordenados aos empregados, sem o qual estes deixariam de sobreviver nesta realidade.

Tomemos o exemplo de um call center: muitas empresas empregam pessoas para aumentar as suas vendas. Mas se olharmos para essas empresas: estas estão meramente a tentar vender um produto porque precisam de sobreviver enquanto empresa para gerar lucro. Muitas empresas fazem-no deliberadamente, ao enfatizarem a necessidade e importância do seu produto, sabendo no entanto que o que dizem não é verdade. Portanto, os empregados da empresa juntamente com os empregados do call centre estão a desempenhar uma tarefa que não tem qualquer contribuição para a qualidade de vida na terra – ou pelo menos, a qualidade de vida na terra não é vista como tendo prioridade.

Num sistema de igualdade monetária, tais empregos não serão necessários pois a razão da existência destes trabalhos é gerar rendimento. E até então ainda nem sequer referimos os empregos, tarefas e profissões do actual sistema que estão a prejudicar e a destruir a vida no planeta. Há muitos destes empregos que actualmente criam rendimento para as pessoas sobreviverem nesta realidade (por exemplo: o corte de florestas tropicais, a caça de animais por pele e marfim, o desenvolvimento e comércio de armas – basta analisar a despesa militar dos EUA para perceber a vastidão desta arena; soldados a serem treinados para a guerra e para matar – iria alguém juntar-se a um exército se não tivesse necessidade de ter um salário? -, comércio de álcool, etc.)

Vejamos agora o tipo de áreas, trabalhos, empregos e profissões que são obviamente críticos para a qualidade de vida na terra:

Muitos perguntam: quem irá executar estas tarefas necessárias? Porque é que alguém iria estar motivado para fazer alguma coisa?

Olhemos nesta perspectiva: será que as pessoas precisam ser pagas para terem motivação para tomar banho? Não, a maioria percebe que é necessário ser feito por razões de higiene e também porque gostam de fazê-lo! Por isso aqui está um exemplo de uma acção que é baseada no entendimento e que não é motivada por lucro – porque faz parte de cuidarmos de nós. No entanto, para nos lavarmos, é preciso que haja água a sair da torneira. E porque vivemos numa comunidade e percebemos que todos beneficiam de haver água, é do entendimento de cada um que é mais eficiente ter uma sistema coordenado de fornecimento de água para todos, em vez de cada um ter de resolver os seus problemas de água sozinho. Por isso na comunidade chega-se a um acordo sobre quem toma a responsabilidade em garantir que haja água. Isto é senso-comum básico. Não tem nada a ver com cálculos de lucro, mas apenas com base no entendimento que “aquilo que é o melhor para todos, é o melhor para mim”. O mesmo procedimento pode ser aplicado a qualquer exigência que constituirá então um serviço público.

Com a tecnologia disponível hoje em dia – nem seria necessário que toda gente tivesse um emprego. Isto porque os empregos não seriam baseados na necessidade de rendimento mas no entendimento daquilo que é o melhor para todos.

Na prática, isto requer um Sistema Monetário Dual – porque o primeiro passo é ter o essencial da sociedade organizado, que resultará num sistema de Trabalho. Este seria o suporte físico de toda a sociedade. Para gerir o acesso aos bens e serviços básicos, o Sistema de Igualdade Monetária é introduzido: simplesmente, todas as pessoas recebem o mesmo montante de dinheiro incondicionalmente – o que permite a regulação da distribuição dos bens e serviços básicos. Ou seja, as pessoas gastarão esse dinheiro apenas naquilo que tenha sido acordado como indispensável para se viver uma vida digna: habitação adequada e electricidade, água, alimentação, vestuário, educação e cuidados de saúde. Aqueles que estão activamente envolvidos no sistema de Trabalho receberiam um ordenado extra. Este ordenado seria igual para todos os participantes consoante as unidades de tempo dispendidas, independentemente da natureza da actividade.

Note-se o que até agora já se estabeleceu: todas as pessoas são tidas em consideração e cuidadas.

A remuneração-de-trabalho será um tipo diferente de dinheiro, que não terá quaisquer restrições quanto àquilo em que é gasto. Por isso, haverá espaço para qualquer pessoa que queira fazer parte da prestação de serviços e bens que não são estritamente necessários – mas que são de certa maneira desejáveis. Este espaço funcionará como um mercado livre dentro do sistema de igualdade monetária. As pessoas que desempenhem um emprego terão acesso a uma maior variedade de bens e serviços de acordo com as suas preferências. É de notar que, apesar de haver uma diferença na riqueza privada como resultado desta combinação, não haverá pobreza de facto, pois cada um terá um mínimo digno de acordo com o direito de cada um viver uma vida decente.

Mas como é que se garante que as instalações básicas providenciam de facto toda a gente?

Isto será feito através de um sistema de recrutamento – no qual todos aqueles que terminem os estudos, farão 4 anos de trabalho mandatário em qualquer das áreas necessárias para manter o sistema de suporte básico do mundo. Isto garantirá que o essencial é constantemente providenciado para todos, e veja – irá custar-lhe apenas 4 anos de trabalho e você terá remuneração-de-trabalho!

O sistema de suporte básico inclui produção de alimentos e todos os serviços públicos mencionados previamente

Mas pode-se simplesmente criar dinheiro do nada – não é isso que está a causar a actual crise?

Correcto. O que propomos é um fiat sistema-monetário. Ou seja: dinheiro que é criado e emitido directamente por uma instituição central e declarada como Legal.

Em relação à actual crise monetária, tem de ser percebido: esta crise não é devido ao dinheiro ser criado “do nada” – mas somente devido ao procedimento em que todo o dinheiro emitido tem a natureza de um empréstimo com juros.

Isto é completamente contra aquilo que aqui é sugerido: porque o objectivo de haver dinheiro não é usá-lo para explorar pessoas em nome do poder e controlo, mas para facilitar a vida – e esta é a razão ensinada às crianças na escola. Infelizmente, não lhes é contada toda a história do actual sistema.

Como foi anteriormente explicado – o dinheiro será um instrumento ao dispor de cada que dará acesso aos recursos necessários para se viver. Não será um empréstimo – pois cada um tem direito a tê-lo: é o seu dinheiro.

Como será o Sistema de Igualdade monetária – como é que vai funcionar?

O mais prático será ter todo o dinheiro em formato digital – porque assim poderá ser simplesmente transferido de um (ou mais) ponto(s) central(ais) para as contas de todos os indivíduos. Isto implicará que os pagamentos em todas as lojas/estabelecimentos comerciais sejam feitos através de tecnologia digital e tecnologia-chip. Portanto, o pagamento será muito semelhante aos sistemas de pagamento já em vigor. Quanto ao tipo de chip, optar-se-á pela melhor solução: ou um chip num cartão de crédito ou um micro-chip implantado na pele. O micro-chip tem a vantagem que não se perde – o que é preferível, uma vez que sem o chip será complicado fazer pagamentos e poderá demorar algum tempo até se obter um novo. Mas lembre-se que o essencial aqui é haver um sistema digital – que poderá ser através do uso de cartões bancários ou micro-chips.

Outra razão para se preferir o dinheiro digital – é que assim será simples criar dinheiro e também será possível apagá-lo. Isto acontecerá assim que o dinheiro seja usado num pagamento. Por exemplo, ao comprar-se um par de sapatos, esse montante gasto não será transferido de uma conta para a conta da loja, mas em vez disso será apagado da conta. Isto porque o propósito do dinheiro é o de garantir igual acesso aos recursos essenciais à vida. Deste modo, assim que o dinheiro sirva esse propósito, não faz sentido continuar a existir.

O dinheiro poderá ser distribuído como um salário mensal ou anual.

Sem dúvida que toda a experiência do que é o dinheiro e como o temos usado vai certamente mudar.

Como será gerido o Sistema de Igualdade Monetária – em quem se pode confiar?

A melhor solução a ser estudada é a existência de uma administração – não um governo – para supervisionar o funcionamento do sistema. Sim, é expressamente sugerido que o sistema seja automatizado, para diminuir quaisquer possibilidades de abuso. A administração será substituída anualmente por uma nova administração – baseada no voto maioritário da população, pelo que cada um pode estar na administração apenas uma vez e nunca mais.

Serão elaborados programas específicos de formação para ensinar às pessoas as habilidades necessárias à realização desta tarefa – o teste irá por um lado ver se o indivíduo desenvolveu essas capacidades e, mais importante, se o indivíduo pode ser confiado com tamanha responsabilidade – a agir sempre para o melhor para todos.

Veja que os nossos líderes actuais não requerem ser testados sobre a sua integridade para tomarem posse – aquele que melhor engana toda a gente é quem geralmente ganha a eleição, razão pela qual o mundo nunca mudou. Num Sistema de Igualdade Monetária, tais formas de abuso não serão mais possíveis.

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